AZULEJARIA PORTUGUESA
Brasil e Portugal estão
umbilicalmente ligados por uma relação que remonta à própria instauração do
imaginário nacional brasileiro.
A chegada dos portugueses no Brasil
abriu as portas para entrada dos grandes movimentos artísticos europeus e a
colonização deixou como herança não só o idioma, os costumes, as culturas, os
sabores e a música, mas também abriu espaço para a criação de uma expressão
artística autônoma e peculiar.
O uso do azulejo de padrão no
Brasil, tal como se dava na matriz portuguesa, que até então tinha uso
exclusivamente funcional, toma força com a renovação da arquitetura brasileira,
que se inicia por volta de 1930, após o declínio do período neocolonial, e se
prolonga até a inauguração de Brasília, trazendo como aspecto inovador o seu
uso no revestimento de grandes fachadas externas.
O azulejo, então, assume posição de
destaque inaugurando nova expressão plástica: a obra arquitetônica atua como
suporte da obra plástica, e esta atua como elemento importante na ambientação
da arquitetura. A abstração toma vulto nos painéis criados por Portinari para o
Ministério da Educação e Cultura no Rio de Janeiro e para a igreja da Pampulha,
em Belo Horizonte, e a arte azulejar, passa a inspirar artistas portugueses no
uso do azulejo, agora integrada à arquitetura de forma monumental, seja em
Portugal nas mãos de Maria Keil, por exemplo, ou de Athos Bulcão, no Brasil.
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Fachada
de azulejos de Cândido Portinari na Igreja São Francisco de Assis da Pampulha,
1943, Belo Horizonte, Brasil. |
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| Painel de azulejos O Mar, de Maria Keil, no Conjunto Habitacional da Avenida Infante Santo, 1955-1960, Lisboa, Portugal. |
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| Composição de azulejos de único padrão, de Homero Gonçalves, 1966, Museu Nacional do Azulejo, Lisboa, Portugal. |
ATHOS BULCÃO
Apaixonada pelos paineis de Athos Bulcão que nos cercam por toda parte
em Brasília, recebi com gratidão as referências visuais deste artista que foi
capaz de se utilizar de cores e formas simples para criar múltiplas combinações
com movimento e visualidade ímpar.
Este artista deu nova expressão para
o uso dos azulejos, a partir de uma construção metódica de efeitos espaço-opticos.
Ele atribuiu, por meio dos azulejos,
ritmo e vivacidade, alterando a própria definição da arquitetura a que
pertencem. E, através deste recreativo jogo de relação, entre formas e espaços,
que os volumes da arquitetura ganharam as mais variadas expressões de um real-imaginário
pleno de deliciosos trocadilhos visuais.
A arte azulejar na sua concepção
modernista concretizada por Athos Bulcão, foi pensada para colorir e dinamizar
a paisagem urbana e modificar sua relação com os ocupantes deste ambiente. A arquitetura
não como uma simples plataforma que acomoda o observador, mas que precede e
enquadra seu ocupante, daí porque muitos dizem que Brasília é um museu à céu
aberto...aqui estão expostas as obras deste mestre.
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| Painel de azulejos do Instituto Rio Branco, Athos Bulcão, 1998, Brasilia, Brasil. |
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| Painel de azulejos do Salão Verde da Câmara dos Deputados, Athos Bulcão, 1971, Brasília, Brasil. |
PENELOPE UMBRICO
É uma artista e fotógrafa americana (nascida na Filadélfia, em 1957), cujo trabalho autoral
está calcado na apropriação de imagens encontradas em catálogos de vendas e
sites de compartilhamento de fotos ou de vendas, para montagem de suas
instalações e paineis.
Penelope Umbrico oferece uma
reinterpretação radical do consumo diário de imagens. Ela trabalha dentro do
mundo virtual de marketing de consumo e mídia social, através do fluxo
incessante de imagens corriqueiras e sedutoras, e das informações que nos
rodeia, em busca de momentos decisivos e utópicos.
Umbrico encontra esses momentos nas páginas
dos catálogos de venda por correspondência de produtos de consumo, viagens e
lazer; bom como em sites de compras como eBay, ou de compartilhamento de fotos
como e Flickr. Identificando essas imagens-farsa, de natureza consumista e com
seu olhar e suas composições, dá nova luz e nova perspectiva imagética.
Penelope Umbrico formou-se na
Ontario College of Art e Design, em Toronto, e recebeu seu mestrado pela Escola
de Artes Visuais de Nova Iorque.
Ela participou de exposições
individuais e coletivas, como no Museu San Francisco de Arte Moderna e no
Contemporary Art Center, em Nova York. Coleções públicas selecionadas incluem o
Museu Guggenheim (NY), International Center of Photography (NY), McNay Museu de
Arte (TX), Metropolitan Museum of Art (Nova Iorque), Museu de Fotografia
Contemporânea (IL), Museu de Arte Contemporânea de San Diego (CA), Museu de
Arte Moderna (NY), e o Museu San Francisco de Arte Moderna (CA), Los Angeles
County Museum of Art (CA), entre outros. Ela vive em New York City.
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| “Suns” Composição de pequenas fotos de pôr do sol extraídas do Flickr, de Penélope Umbrico, 2006. |
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| “Signals Still” Composição de imagens de telas de TVs antigas, de Penélope Umbrico, 2011. |
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| “Broken Sets” Composição de imagens de telas de TVs de LCD quebradas, de Penélope Umbrico, 2009. |
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| “Doors” Composição de imagens de aberturas de portas retiradas de catálogos, de Penélope Umbrico, 2001-2002. |
VIK MUNIZ
Vicente José de Oliveira Muniz, mais
conhecido como Vik Muniz, é um artista plástico, fotógrafo e desenhista
brasileiro (São Paulo, 1961) muito conhecido no exterior, onde vive desde os 23
anos.
Começou a trabalhar com arte fazendo
esculturas e depois incorporou a fotografia em seus trabalhos.
Suas obras podem ser encontradas em
importantes acervos, como da Tate Modern e do Victoria & Albert Museum,
ambos em Londres.
Muniz foi curador da mostra
“Artist’s Choice”, a convite do Museum of Modern Art (MoMA New York) e em sua
exposição em São Paulo, estiveram séries famosas como “Pictures of Chocolate” (1997),
retratos recriados com chocolate derretido, “Pictures of Clouds” (2001),
registros de nuvens artificiais feitas com a fumaça de um avião, “The Best of
Life” (1989), e outras bastante recentes, como “Pictures of Garbage”
(documentário brasileiro indicado ao Oscar), de 2009. Este último foi
feito com ajuda do seu próprio tema: catadores de lixo do aterro de Gramacho
(RJ), que, após serem fotografados, trabalharam ao lado do artista no processo
de montagem das obras, selecionando as imagens.
Em 2010, o documentário "Lixo Extraordinário" sobre o trabalho de Vik Muniz com catadores de materiais
recicláveis no aterro de Jardim Gramacho (Duque de Caxias) foi premiado no Festival de Sundance. No Festival de Berlim em 2010, foi premiado em duas categorias, o da Anistia Internacional e
o público na mostra Panorama.
Em especial, no trabalho aqui
desenvolvido, algumas obras de Vik Muniz serviram de referência visual.
Um trabalho mais antigo, realizado
entre 1996-2006, chamado de “Individuals”
consiste em fotografias de esculturas que Vik fez e não existem mais. Estes
objetos existem apenas nas fotografias. O artista fazia uma escultura,
fotografava-a, destruía-a para criar outra, e assim sucessivamente. Uma
criação a partir da desmaterialização. As fotos foram agrupadas e expostas como
um grande mosaico.
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| “Individuals, 1992-2006. |
Também chamou atenção a exposição “Espelhos de Papel”, 2013, na Galeria Nara Roesler em São Paulo, com obras da série
“Imagens de Revistas 2”, nas quais, a
partir de recortes de milhares de revistas novas e antigas, fragmentos de
imagens apropriadas, compõe releituras de clássicos das artes plásticas.
Os quadros, que originalmente têm o tamanho
de uma folha A4, foram escaneados e ampliados. O objetivo foi criar um imenso
mosaico.











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